Pense na última vez em que você precisou comprar algo, mas não tinha certeza de qual era o melhor produto para você. Você digitou palavras soltas no Google e abriu dez abas diferentes, ou abriu o ChatGPT, Gemini ou (insira aqui sua ferramenta de IA favorita) para pedir ajuda antes de tomar uma decisão?
E não estamos falando apenas de ferramentas externas. Os anúncios recentes no Google I/O deixam claro que o próprio buscador está assumindo o papel de assistente para tarefas complexas, dando cada vez menos foco para o tradicional catálogo de links. Ou seja: veremos cada vez mais os AI Overviews e respostas geradas por IA dominando a tela, até mesmo quando optarmos pelas consultas tradicionais.
Recentemente, dois dados de mercado ajudaram a materializar o tamanho dessa transformação que já vínhamos observando no dia a dia aqui na agência: 68% das buscas no Google nos EUA já terminam sem nenhum clique (segundo o SparkToro) e 35% dos consumidores já iniciam a descoberta de um produto via IA, contra apenas 13,6% nos buscadores tradicionais (segundo a Similarweb).
Em outras palavras: a jornada de compras online mudou, e é sobre isso que vamos falar a seguir.
As etapas do funil de vendas que conhecemos de cor ainda existem: o consumidor ainda descobre, pesquisa, avalia e compra. O que muda é onde essas etapas acontecem. O que antes exigia navegar entre buscadores, ler reviews e ter dezenas de abas abertas, agora acontece em uma única conversa. A descoberta e a comparação ficam a cargo de agentes de Inteligência Artificial.
Aqui na i-Cherry, mapeamos essa nova jornada em etapas claras:
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Fase da Jornada |
Etapa |
Ação do Usuário |
Exemplo Prático |
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Topo e meio de funil (Dominada pelas IAs) |
1. Entende o que precisa |
Pergunta à IA |
"Qual a diferença entre hidratante e sérum?" |
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2. Qualifica para o seu perfil |
Refina a busca |
"Qual a melhor opção para pele seca e sensível que não seja oleoso?" |
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3. Pede nomes e opções |
A intenção afunila |
"Me indica 3 opções até R$ 80." |
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4. Decide entre finalistas |
Pede ajuda para o desempate |
"Marca X ou Marca Y para pele sensível?" |
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Fundo de funil (Dominada pelo Google e Site) |
5. Busca preços e ofertas |
Vai ao Google com a decisão tomada |
"Preço hidratante Marca X" |
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6. Converte |
Entra no site e finaliza a compra |
Acesso direto ou via busca da marca |
O grande alerta aqui é: se a sua marca não for recomendada pela IA nas etapas de 1 a 4, ela sequer entra na consideração para a etapa 5. A fase final de conversão pode até acontecer no Google, mas cada vez mais, o usuário chega até o buscador com uma decisão praticamente tomada.
Leia também: Mídia full funnel: estratégias para dominar a jornada do cliente
Conceitualmente, as coisas já estão muito mais bem entendidas do que na prática — até porque ninguém quer ver suas métricas caindo, né?
Como a IA raramente gera um clique direto na fase de descoberta, ela é invisível para os modelos tradicionais de atribuição (o famoso last-click). O usuário descobre as marcas no ChatGPT, mas só pesquisa por elas no Google para comprar. A busca leva 100% do crédito no Google Analytics e os cliques em conteúdos topo de funil (em blogs, por exemplo) caem significativamente.
Ainda segundo dados da Similarweb, menos de 1% das interações com IA geram visitas diretas a um site externo. No entanto, a influência na compra é muito real. Dados desse estudo mostram que, quando uma IA cita uma marca:
Isso cria o que chamamos aqui na i-Cherry de Ciclo de Vantagem Cumulativa.
Funciona assim:
Por conta desse novo ciclo, a forma de mensurar o sucesso mudou: já passou da hora de parar de olhar para o tráfego orgânico como uma métrica isolada.
Para entender os resultados de verdade, precisamos adotar as análises de correlação. Pense assim: se os cliques em conteúdos topo de funil caíram, mas o volume de busca pela sua marca (branded search) e a receita estão crescendo, sua estratégia de influência algorítmica está funcionando.
E tem um detalhe que não podemos esquecer: o usuário pode até não acessar o seu site tanto quanto antes na fase de descoberta, mas as IAs sim! O conteúdo informacional continua sendo a base fundamental para que os bots compreendam, validem e recomendem os seus produtos.
Para que as marcas deixem de apenas "aparecer para as pessoas" e passem a "ser escolhidas pelos agentes", precisamos focar em três frentes de GEO (Generative Engine Optimization):
Como bem resume Elav Horwitz, Chief Innovation Officer na WPP:
"Na nova jornada de consumo guiada pela IA, onde a descoberta e as decisões são moldadas por LLMs e agentes, o storytelling se torna mais importante do que nunca. Em um momento em que as marcas estão sobrecarregadas por plataformas e ferramentas, o verdadeiro valor não está em fazer mais barulho, mas em contar com parceiros que tragam clareza narrativa e execução integrada, ajudando as marcas a serem compreendidas e, no fim das contas, escolhidas."
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Próximos passos
O clique pode ter se tornado opcional em muitas buscas, mas a presença da sua marca não. O SEO garante que você seja encontrado; o GEO garante que você seja recomendado.
Quer entender como a sua marca está posicionada nessa nova jornada e como prepará-la para o futuro? Fale com o time de especialistas da i-Cherry e conheça nosso GEO Scorecard!
E para se aprofundar em GEO, recomendo a leitura do artigo:
Como ser citado pela IA: guia para obter menções em ChatGPT, Gemini e AI Overviews.