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Zero-click search: como as IAs reestruturaram a jornada de compra (e o que fazer com seu SEO)

Pense na última vez em que você precisou comprar algo, mas não tinha certeza de qual era o melhor produto para você. Você digitou palavras soltas no Google e abriu dez abas diferentes, ou abriu o ChatGPT, Gemini ou (insira aqui sua ferramenta de IA favorita) para pedir ajuda antes de tomar uma decisão?

E não estamos falando apenas de ferramentas externas. Os anúncios recentes no Google I/O deixam claro que o próprio buscador está assumindo o papel de assistente para tarefas complexas, dando cada vez menos foco para o tradicional catálogo de links. Ou seja: veremos cada vez mais os AI Overviews e respostas geradas por IA dominando a tela, até mesmo quando optarmos pelas consultas tradicionais.

Recentemente, dois dados de mercado ajudaram a materializar o tamanho dessa transformação que já vínhamos observando no dia a dia aqui na agência: 68% das buscas no Google nos EUA já terminam sem nenhum clique (segundo o SparkToro) e 35% dos consumidores já iniciam a descoberta de um produto via IA, contra apenas 13,6% nos buscadores tradicionais (segundo a Similarweb).

Em outras palavras: a jornada de compras online mudou, e é sobre isso que vamos falar a seguir.

Resumo em 30 segundos

    • A fase de descoberta mudou: 35% dos consumidores já começam a descobrir produtos em IAs (como ChatGPT e Perplexity), e não mais nos buscadores tradicionais.
    • A IA está deixando de ser apenas um "oráculo" para se tornar um agente que pesquisa, compara e recomenda em seu nome.
    • Menos de 1% das interações com IA geram visitas diretas ao site, mas quando uma IA cita sua marca, 40% dos usuários vão procurá-la no Google.
    • Sites que vencem hoje são aqueles que permitem ao usuário completar uma tarefa (comprar, calcular, agendar), e não apenas ler informações genéricas.
    • Correlação é a nova atribuição: o sucesso agora é medido pelo crescimento da busca pela sua marca e pela receita, não apenas pelo last-click.

Sumário

A busca na nova jornada de compras online

As etapas do funil de vendas que conhecemos de cor ainda existem: o consumidor ainda descobre, pesquisa, avalia e compra. O que muda é onde essas etapas acontecem. O que antes exigia navegar entre buscadores, ler reviews e ter dezenas de abas abertas, agora acontece em uma única conversa. A descoberta e a comparação ficam a cargo de agentes de Inteligência Artificial.

Aqui na i-Cherry, mapeamos essa nova jornada em etapas claras:

Fase da Jornada

Etapa

Ação do Usuário

Exemplo Prático

Topo e meio de funil (Dominada pelas IAs)

1. Entende o que precisa

Pergunta à IA

"Qual a diferença entre hidratante e sérum?"

2. Qualifica para o seu perfil

Refina a busca

"Qual a melhor opção para pele seca e sensível que não seja oleoso?"

3. Pede nomes e opções

A intenção afunila

"Me indica 3 opções até R$ 80."

4. Decide entre finalistas

Pede ajuda para o desempate

"Marca X ou Marca Y para pele sensível?"

Fundo de funil (Dominada pelo Google e Site)

5. Busca preços e ofertas

Vai ao Google com a decisão tomada

"Preço hidratante Marca X"

6. Converte

Entra no site e finaliza a compra

Acesso direto ou via busca da marca

 O grande alerta aqui é: se a sua marca não for recomendada pela IA nas etapas de 1 a 4, ela sequer entra na consideração para a etapa 5. A fase final de conversão pode até acontecer no Google, mas cada vez mais, o usuário chega até o buscador com uma decisão praticamente tomada.

 Leia também: Mídia full funnel: estratégias para dominar a jornada do cliente 

Queda nos cliques topo de funil e last-click 

Conceitualmente, as coisas já estão muito mais bem entendidas do que na prática — até porque ninguém quer ver suas métricas caindo, né?

Como a IA raramente gera um clique direto na fase de descoberta, ela é invisível para os modelos tradicionais de atribuição (o famoso last-click). O usuário descobre as marcas no ChatGPT, mas só pesquisa por elas no Google para comprar. A busca leva 100% do crédito no Google Analytics e os cliques em conteúdos topo de funil (em blogs, por exemplo) caem significativamente.

Ainda segundo dados da Similarweb, menos de 1% das interações com IA geram visitas diretas a um site externo. No entanto, a influência na compra é muito real. Dados desse estudo mostram que, quando uma IA cita uma marca:

  • 40% dos usuários pesquisam a marca no Google;
  • 36% comparam com outras;
  • 28% acessam o site;
  • Apenas 8% ignoram a marca.

Isso cria o que chamamos aqui na i-Cherry de Ciclo de Vantagem Cumulativa.

Funciona assim:

  1. a IA cita a sua marca como recomendação;
  2. Os usuários buscam sua marca no Google;
  3. A busca pela marca cresce (gerando mais acessos branded ao site);
  4. Isso gera mais autoridade para a marca;
  5. A IA passa a recomendar ainda mais.

Por conta desse novo ciclo, a forma de mensurar o sucesso mudou: já passou da hora de parar de olhar para o tráfego orgânico como uma métrica isolada.

Para entender os resultados de verdade, precisamos adotar as análises de correlação. Pense assim: se os cliques em conteúdos topo de funil caíram, mas o volume de busca pela sua marca (branded search) e a receita estão crescendo, sua estratégia de influência algorítmica está funcionando.

E tem um detalhe que não podemos esquecer: o usuário pode até não acessar o seu site tanto quanto antes na fase de descoberta, mas as IAs sim! O conteúdo informacional continua sendo a base fundamental para que os bots compreendam, validem e recomendem os seus produtos.

Na prática, o que isso significa para o seu site? 

Para que as marcas deixem de apenas "aparecer para as pessoas" e passem a "ser escolhidas pelos agentes", precisamos focar em três frentes de GEO (Generative Engine Optimization):

  • Rastreabilidade: se os agentes de IA não conseguem rastrear e compreender o seu site, sua marca não entra no conjunto de consideração. Precisamos garantir que o site esteja tecnicamente otimizado para dar passagem livre aos bots.
  • Validação externa: não basta o seu site dizer que o seu produto é o melhor; a internet precisa concordar. Mais do que nunca, a integração entre SEO e PR Digital é fundamental. Quando a IA vê sua marca sendo recomendada em múltiplas fontes independentes, a citação vira recomendação.
  • Agentic Commerce: estamos caminhando para um futuro onde a IA fará a compra pelo usuário. Para se preparar, a arquitetura da informação dos sites precisa facilitar o entendimento dos bots em relação a preços, estoque e variações sem fricção.

Como bem resume Elav Horwitz, Chief Innovation Officer na WPP:

"Na nova jornada de consumo guiada pela IA, onde a descoberta e as decisões são moldadas por LLMs e agentes, o storytelling se torna mais importante do que nunca. Em um momento em que as marcas estão sobrecarregadas por plataformas e ferramentas, o verdadeiro valor não está em fazer mais barulho, mas em contar com parceiros que tragam clareza narrativa e execução integrada, ajudando as marcas a serem compreendidas e, no fim das contas, escolhidas."

Leiam também:

Próximos passos 

O clique pode ter se tornado opcional em muitas buscas, mas a presença da sua marca não. O SEO garante que você seja encontrado; o GEO garante que você seja recomendado.

Quer entender como a sua marca está posicionada nessa nova jornada e como prepará-la para o futuro? Fale com o time de especialistas da i-Cherry e conheça nosso GEO Scorecard!

E para se aprofundar em GEO, recomendo a leitura do artigo:

Como ser citado pela IA: guia para obter menções em ChatGPT, Gemini e AI Overviews.

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